presença,

lindo atributo humano. precioso. por incontáveis que sejam os lugares que podemos ocupar ao mesmo tempo pela tecnologia, o corpo só ocupa um. presença é dar-se de presente. estar com alguém, aqui, em corpo ao lado, é mensagem forte – dentre todos os lugares em que eu poderia estar, os infinitos espaços que eu poderia preencher, escolho estar onde você está, ocupar teu espaço contíguo, compartilhar, contigo, a experiência de existir e de poder olhar nos olhos sem filtro algum. estamos presentes, sente? ombros até se tocam, tão pequeno é o vazio entre nós. aqui (espaço), agora (tempo), desencontros sublimam. de concreto somos nós e nossa presença; nosso presente.

(preciosa, também, é a escolha de estar apenas consigo – dar-se de presente a si mesmo. solitude não é ausência de outros: é presença de si).

 

en

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28

Hoje me dei conta de que faz 10 anos que fiz 18 anos.

Aqueles 18 da carta de motorista, exército, faculdade. Maior de idade – e na real é tão menor.  Faz 10 anos que tive meu primeiro emprego, a primeira grande frustração (vestibular), o aniversário mais normal do mundo. Eu jurava que seria num castelo em Viena (!), mas foi no McDonald’s mesmo. Faz 10 anos que percebi que a vida é mais real do que parece; que idealizar é bom mas dói, mas é bom. Faz 10 anos, enfim, que convivo com essa ideia de vida como jornada, como caminho, tentando fazer o melhor possível na condição de andarilho de suas paisagens.

Hoje, virando os 28, tô naquela fase de ser velho mas ser novo. Inicio conversas que terminam em conselhos, sem querer. Já consigo dizer “quando eu tinha sua idade” mas ouço muito também. Tô naquela fase de me angustiar menos com o futuro e mais com o passado, ao mesmo tempo em que o presente é tão claro: os ecos, daqui, se ouvem jajá. Tô naquela fase de amigos casando; de não me pressionar por isso mas pensar em como deve ser, como será. Tô naquela fase de não me sentir cobrado pelos pais, chefes, amigos, professores, mas por mim mesmo; de gostar de ser cobrado por mim mesmo porque me conheço e faço disso uma tarefa leve.

10 anos depois dos 18, agora pelos 28, tô querendo mudar aquela ideia de vida. Quero ser eu o caminho, a jornada, que a vida percorre. Quero pavimentar a estrada pra que a vida aconteça em mim. Quero moldar minha vida e não o contrário; quero que ela reaja a mim. Transcenda, seja, passe, mude, ecoe – em mim. Ter o controle pra descontrolar, se quiser. E ser percorrido por essa bela andarilha.

 (Daqui 10 anos conto como foi)

EN

A inocência

O nostálgico talvez seja nostálgico por querer voltar à inocência do que já foi. Viver no passado, recontar os dias, reviver as fábulas, sorrir, sorrir, e chorar. Chorar o rio que passou. As lágrimas são o rio e queremos mergulhar. Banhar-nos com água morna e limpa – aquela da banheirinha ou do quintal da vó. A vó, que linda. Já não é mais. Mas ainda é dentro da nossa nostalgia. A inocência mora no quintal – e ai de quem disser que não é mais. Eu moro nos desenhos da minha mãozinha. Aquele amigo imaginário que ainda mora no armário velho do quartinho da cozinha. Jamais sairá! Jamais sairá. O olhar sem malícia alguma. O querer sem desdém algum. São essas as crianças que Jesus chama a entrar no céu. São essas – somos nós. Hoje se pode alcançar a inocência que ainda está lá. Na biblioteca do bairro, no livrinho amassado; no desenho favorito, naquela foto de noventa e quatro. Não se vá. Não desista. Não abra mão, não chute o balde, não aceite que se perca de vista. É você, em todos esses anos; é você, a re-tornar-se. Digo a mim mesmo.

Nostalgia evoca inocência. Não à toa rima com poesia. Não à toa rima com nossa existência.

(EN)

anseio em sussurros

.
– …

– …

– Percebe isso?

– Hum?

– Tá percebendo?

– O quê? Vem cá…

– O silêncio.

– Hum.

– Quando se beija a boca se cala.

– Sim. Vem…

– O beijo cala… a boca. Aliás, a boca faz tanta coisa, tem tanta função.

– Já pensei nisso.

– Sério?

– Um pouco, sim. Boca multifuncional.

– Sim! Fala, canta, come…

– Assobia.

– Haha, também, e respira quando precisa.

– Também.

– Tanta coisa sai, tantas entram, palavras, comida.

– E o beijo?

– O beijo é o meio termo. Nada entra e nada sai, apenas permanece.

– Bonito.

– Talvez seja tudo isso junto e representa o calar, já que a

– Vem cá.

– Espera. Já que a fala é a função principal da boca. Comer é função importante, mas falou em boca pensou em fala.

– Eu penso em assobio.

– Ah, mas também é um modo de fala, entende?

– E o beijo não fala?

– O beijo fala, mas nessa linguagem outra. Prescinde palavra, som. Cala a voz!

– Cala a voz.

– Antes do beijo costuma haver uma conversa bonita. Um diálogo, ainda que pequeno, ainda que sussurado.

– E o beijo é o ápice disso tudo.

– E o beijo é o ápice, a consequência disso tudo, dessa construção. Nele é falado o que não se falou.

– Nossa.

– As bocas conversavam e o beijo cessa a voz…

– Pelo toque.

– Isso. Pelo toque une a fonte das palavras… são palavras que se tocam no beijo!

– Mudas.

– Mudas. Como os que se beijam, e assim se fala.

– E se toca.

– E silencia.

– …

– …

 

(EN)

cântico vendado

O problema é a intensidade. Juro que tento mas não consigo ver somente olhos. Vejo-te passar, instante seguinte está de branco – branca, como eu.  É o teu olhar. Não apenas me olha (quem dera), desolha. Quero te mostrar quem sou, o quanto sou bom, o quanto sou divertido, o quanto sou poeta. Vem, traz o olhar pra cá… isso. Olha no meu olho e escuta. Escuta como sou poeta, escuta minha palavra escrita, agora escrevo pra você. Olha pra cá, por favor. Só dessa vez que nunca chega porque está sempre correndo, sempre no outro vagão. Sempre de mão dada com outro, do outro lado do rio. Teu defeito é esse de não querer olhar, não faz sentido. Você é corajosa. Consigo saber disso só de olhar, acredita? Então não pode ser medo. Ou o medo é justamente de eu olhar e te enxergar? Não faz sentido. Olha pra cá. Assim.  Vejo nos teus olhos um passo além, eu dou esse passo por você, vou na sua direção.  Entende? Avançar na sua direção, invadir teu espaço, tem que significar. Tem que significar! Mesmo que vire o rosto e nunca mais me veja, tem que significar. “O coração fala, fala a todos sem distinção, de maneira doce e educada”. Não foi isso que eu escrevi? Você leu, tenho certeza. Se não de mim de alguém, da dor. Meu deus, a dor! Onde está essa voz em você que só eu escuto? Por que você também não ouve? Parece ouvir mas não crer, ou não entregar, logo você que eu escolhi olhar. Logo eu, que sempre escolhia não olhar.

Você me olha. Eu sei que você me olha, olhar tem peso. Vai pro meu ombro como um fardo que boi carrega, mas o boi não sabe que é fardo e carrega carrega carrega, não chora se não chegar. Não vai chegar nunca e nem sabe disso, não chora. O teu olhar é fardo e eu sei, e eu quero, mas você não me dá.  Eu quero! Eu quero o teu olhar de fardo posto sobre meu ombro, quero sentir seu peso e ter que inclinar meu corpo pra aguentar. Vou dobrar um pouco os joelhos, entende? Pender meu dorso pra frente e acomodar teu fardo em cima do meu lombo de homem que eu aguento. Talvez você não creia, mas eu aguento. Talvez você me veja lembrança, mas eu aguento. Talvez você me veja mais um igual aos outros que não aguentaram. Mas eu aguento. Ainda é medo? Eu assimilo. Infelizmente assimilo, admito que isso tudo começa a perder a graça. Era graciosa até pouco tempo, juro, mas agora eu só queria vomitar-te de mim e acabou. Não te ver branca. Vandalizar meus olhos. Você me olha e eu penso que me quer – jura que é só engano? Você me olha e não me quer, é isso? Eu peço então que não me olhe se não quiser.  Talvez seja essa a solução e vou fingir que acredito. Costumo levar a sério, o problema é a intensidade. Eu vejo demais, intenso demais, olhar intenso é pra mim demais quando é de menos, deve ser isso. Hoje é você, amanhã era ela.  É só um relance pra ser de novo ontem, tudo ontem, e não vai chegar. Nunca.


E. N.

pera uva maçã salada mista

.
Encontrei-a em cima da mesa, toda oferecida e comestível.

Pele lisa, amarelada, aparentemente doce. Muito doce. Era a última da cesta, a última e suculentíssima pera! Quis devorá-la ao primeiro olhar, peguei-a na mão com facilidade incrível. Era leve, madura, da mão à boca um só movimento – dentada master… mas não. Não a mordi. Contemplei-a por alguns instantes: pera periforme, amarelada e lisa. Por que não? Coloquei-a de pé na mesa, com a parte mais gordinha pra baixo, aquele cabinho preto pra cima e ali ficou ela, em cima da mesa, olhares de pera.

Pera.

Queria conversar com ela. Não, não venha me julgar! Não é maluquice  (e se fosse, cada um trate da sua). Queria conversar com a pera, papo de homem e fruta.  Parecia ter tanto pra contar! Histórias alegres, cheias de infância e frutose. Imagine uma pera a conversar, desbunde! No mínimo haveria o mértito de ser inédita a conversa. Sem delongas humanas, papinho furado, “9dads?”. A conversa em si seria novidade, ora se não. E conversei. Tentei, aliás. Padronizei a linguagem:  silêncio. Olhei-a profundamente (fiz dois furos pra chamar de olhos) e me calei. Seria a absorção máxima. Tudo o que ela poderia me dizer naquele silêncio patético, eu ouviria.

Fitei-a.

Sua forma, o cabinho, sua cor, seu aroma, adentraram minha mente em níveis incríveis de assimilação. Nada do que aquela pera era ou podia ser escapava ao meu entendimento; era um algo domado pelo meu intelecto, um ser despido de segredos ou misticismo – a pera não era se  não o que eu sabia que era! Mas faltava o diálogo. Captado estava o emissor mas, e a mensagem? Fitei-a mais profundamente, aproximei o rosto e seu aroma ficou mais forte. Minha visão a olhava, olfato aspirava, tato sentia… mas e o ouvir? Seu silêncio nada me dizia, mesmo com a proximidade, mesmo com meu paladar aguçado, a suculência em minha boca, a cada dentada uma descoberta de sabor, mas nada de resp… E sem perceber comi inteira, de cabinho a rabão.

A pera assimilada se foi, sobrou apenas uma carcaça cheia de caroços. Ela ia dizer algo, tinha certeza! Mas a lixeira foi seu destino, pobre pera.  E logo que a arremessei, e seu corpo disforme fez “tchá” no saco de lixo, entendi tudo. No final das contas, havia conselho nos entremeios da conversa:

Ex-pera.


E. N.

Passeio com Rubem Alves

.
Braços dados, passo junto, passo finito.

A vida ali, explicada em silêncio.
O semblante, as não-palavras, o cansaço,
tudo poético. É um ser humano poético.
É humano, meu Deus!

Braços dados, passo acelera, passo e finitude.
O viver ainda vivo em seus olhos,
e percebo que as coisas e o futuro
são apenas coisas e futuro,
nada mais ou menos sublime.

E nada mais que um passeio,
que humano e humano,
que pai e filho, que vô e neto,
que estrela e explosão.

O silêncio que tudo dizia
se aquieta, e eu ouço sua voz
dizer qualquer bobeira
que não filosofia ou religião.

Separamos os braços, ele sorri,
e eu retribuo em outra dimensão.
Já não estou mais aqui;
o passeio termina em um lugar chamado não-mundo.

E. N.

ao R. A.

Do coração

O coração fala,
Fala a todos sem distinção, de maneira doce e educada.

O homem que dá ouvidos ao seu coração é um homem feliz.
“Siga-me! Mostrar-te-ei lindos caminhos!” é o que diz seu coração.
Mas o homem teme, o homem não o segue.
Há idealismo demais nas palavras do coração. Poderia ser verdade?

Sonhador, travesso que é, o coração fala manso.
Tem a voz do menino esquecido em nós.
Não dá ordens nem intima, como faz sua irmã mais velha.
A razão fala alto. O coração sussurra ao ouvido.
A razão faz negócios. O coração, bolhas de sabão.

Fala-se de pessoas que deram ouvidos ao coração e, sim, viveram um grande amor.
E de pessoas que seguiram por seus lindos caminhos e já não se acham mais entre nós (andarilhos de belas paisagens, é o que se tornaram, perseguindo sonhos grandes).

Pessoas que dão ouvidos ao coração são as que dormem em paz todas as noites,
Sem remorsos ou temores, até dormirem para sempre, felizes – viveram a vida!

O homem teme ouvir seu coração, e teme pelo motivo mais trágico (se não fosse cômico):
Tem medo de se entregar ao incerto. Mal sabe ele que o coração tem a certeza mais sublime.

Aquela que não é racional.

E. N.

Uma Sombra Errante…

A vida é curta.
Creio que essa percepção não nos seja inerente;
Com o tempo vamos descobrindo que isso é verdade.

Quando nascemos, e temos nossas primeiras impressões do mundo,
a vida nos parece um mar de novidades. Tudo é novo, tudo é lindo. A vida é linda e infinita. Tudo é colorido.

Mas conforme vamos crescendo, conhecendo pessoas e desenvolvendo nossas emoções e sentimentos, começamos a criar o nosso mundo, e a colocar limites em nossa vida. Já sabemos o que é familiar, já sabemos de quem gostamos e de quem não gostamos, do que somos ou não capazes de fazer. A vida ainda é colorida, mas não infinita.

Vamos crescendo. Os sonhos surgem. Os planos, as metas…
Mas também as obrigações, as responsabilidades. O tempo se torna curto! E com ele, a vida; assim como o Ego resulta do confronto do Id com o Superego, nossa vida torna-se produto de nossas ambições confrontadas com nossos deveres e obrigações como cidadãos do mundo moderno.

A vida vai se tornando curta à medida que percebemos que não teremos tempo para realizar tudo o que gostaríamos. Não apenas realizar, mas vivenciar, experimentar, presenciar, ver, ouvir, sentir…

Há também um medo muito grande de perder oportunidades daquelas que não voltam mais! É um sentimento que incomoda. Nos sentimos incapazes perante o tempo, esse agente implacável que não descansa! E vemos o quão pequenos e incapazes nós somos.

Perceber isso, embora não muito agradável, é bom sinal. Mostra que estamos cientes da vida e não somos apenas espectadores. Ainda assim, não temos todas as respostas…

Gostaria de fechar essa idéia com mais precisão, mas percebo que seria impossível definir com palavras ou sentido esse assunto tão amplo. Mesmo porque essas incertezas fazem parte da jornada que é a vida. Engraçado, embora tenhamos esse conceito de que a vida seja curta, a jornada que ela nos propõe parece longa.

É um longo caminho, e temos pouco tempo para percorrer.

E. N.

Virtualidade Real

Vivemos numa era virtual. Isso é fato. Mas a maioria das pessoas não se dá conta disso. Simplesmente entram nessa correnteza chamada internet e se deixam levar por ela. Só que se a pessoa não se policiar, não usar a internet com sensatez, ela pode acabar ficando dependente desse meio e acabando totalmente com sua vida social.

Se analisarmos bem, a internet é um paradoxo. Muitas vezes ela acaba proporcionando justamente o contrário do que propõe em determinados aspectos. Na área de comunicações, por exemplo. A rede com certeza nos permite encontrar muitas pessoas, fazer amigos ‘virtuais’, ou cultivar as amizades já existentes. Mas esses relacionamentos muitas vezes acabam se tornando impessoais, frios… vazios. Não há a possibilidade de se olhar nos olhos, não há calor humano nem expressão real de sentimentos. É tudo muito… virtual.

O mesmo acontece no que diz respeito a serviços. A internet é o meio mais rápido, prático e econômico para se conhecer outros lugares do mundo, ver fotos, paisagens, fazer compras, pagar contas… Realmente há muita facilidade. Mas justamente por ser tão fácil assim acaba gerando em nós um grande sedentarismo. Acabamos gostando de ficar na frente do computador, sentados, inertes. Temos a impressão de que estamos viajando, mas na verdade não estamos realizando tipo algum de atividade física ou mental. E ficamos em casa. Não escolhemos o produto pessoalmente. Não viajamos. E só conhecemos lugares através das lentes de uma câmera, e nunca pelos nossos próprios olhos.

É claro que não podemos simplesmente nos alienar do mundo virtual. Nessa época em que vivemos é imprescindível que adentremos esse mundo, que entremos nessa correnteza. Mas entremos com barco e remo, tendo total controle de nossas ações e estando convictos de nossas prioridades. Temos que fazer da internet uma ferramenta para facilitar nossa vida, uma fonte de informação e até diversão, mas sem deixar que isso se TORNE a nossa vida. Entrar só quando necessário ou estipular um tempo para seu uso já é um começo.

E aqui alerto sobre o mau uso da internet utilizando a mesma para passar essa mensagem… Que paradoxo! Mas que a internet nos seja um meio, não um fim. E que vivamos uma vida REAL nesse mundo virtual.

E. N.

Sonhos e correntes

Minha mãe dia desses me pediu que fizesse um desenho para ela. Perguntei o porquê do tal desenho e ela disse que era só para visualizar um pensamento, uma imagem que estava na cabeça dela.

A imagem, segundo ela descreveu, era a de um imenso paraíso, uma paisagem lindíssima, com uma natureza exuberante, e em um certo canto desse lugar uma pessoa numa prisão, mas que podia, da janela de sua cela, vislumbrar toda aquela maravilha. Ou seja, podia ver a alguns palmos de distância um paraíso, mas não tinha como alcançá-lo. As grades e correntes o impediam.

Essa imagem e seu conteúdo filosófico me chamaram bastante a atenção, e me dei conta de uma realidade. Percebi que às vezes me sinto preso. Preso por correntes curtas, que me permitem apenas uma breve espiada pela janela da cela, e um vislumbre das imensas maravilhas que existem lá fora.

É um lindo paraíso. Um paraíso de possibilidades, de sonhos, de conquistas, de novas experiências…

É um paraíso diferente de tudo o que já vi. Por isso é tão vasto e diverso, por ser repleto daquilo que ainda não vivi.

Sinto e sei que não vivi muita coisa, experiências, coisas novas, coisas boas. Quero sair da área de conforto. Sair do fácil, do esperado.

Voar. Viajar por esse mundo tão lindo, conhecer lugares, pessoas, culturas. Algumas correntes prendem minhas pernas. Não me deixam sair de um “mundo fechado”, já explorado e conhecido. Não me deixam explorar fisicamente esse paraíso. Essas correntes são as prioridades do momento, que me impedem de canalizar minhas energias para esse objetivo. É a disponibilidade financeira. São as responsabilidades escolares. É a rotina. Na verdade, são correntes temporárias. Correntes necessárias. Mas que adiam, e às vezes cancelam a possibilidade de ter esse contato com o paraíso, de explorá-lo fisicamente.

Nesse paraíso também há o aprendizado. Como já disse, está repleto de experiências novas. Experiências e aprendizados que só terei quando tiver um contato direto com esse paraíso, com essa natureza virgem. Novas línguas, novas idéias, pensamentos. Há correntes que prendem meus braços, minha boca e meus ouvidos. Não me deixam comunicar-me com outros que já conhecem melhor esse paraíso. Correntes que me impedem de projetar meus braços para fora da janela da cela para ter algum contato mais pessoal com quem está do outro lado. Correntes essas que já não são necessárias. São temporárias até que se desgastem. Algumas são eternas.

Mas também há um tipo diferente, que, com o passar do tempo, se torna uma ferramenta a seu favor. Que te ajuda a quebrar as outras correntes, e te apóia até as temporárias se soltarem. Mas infelizmente não são todas que têm essa transformação.

Sonhos. Paraísos são constituídos de sonhos. De realizações, de conquistas.
Mas também de muita luta, determinação, do desejo de realmente chegar até ele. Sonhos são projeções que temos para o futuro, condicionadas ao que estamos fazendo agora, no presente. É pensar na colheita durante o plantio. Vejam como há uma condição: Sonhe muito, mas batalhe por isso. Para se soltar dessas correntes é preciso muita paciência, perseverança e sabedoria.

Paciência para esperar o tempo certo das temporárias se soltarem.
Perseverança e sabedoria para se livrar das correntes que não são necessárias, e que muitas vezes nós mesmos que nos colocamos. Desânimo, passividade, conformismos, maus hábitos, vícios sutis… Cuidado, são fortes correntes.

E enquanto caminhamos rumo ao paraíso, ainda que acorrentados, vamos sonhando. Sonhando com dias melhores, em que o sol da tarde bate em nosso fatigado rosto, uma leve chuva cai em nossos ombros e um arco-íris nos brinda ao horizonte. E te digo, se lutarmos por eles com coragem, ousadia e muita fé, corrente alguma nos impedirá de realizarmos nossos sonhos.

E. N.

O Boneco de Neve

Esse é o título de um lindo filme que costumava passar em época de natal na Tv Cultura.

Eu disse “lindo” porque na verdade com palavras eu não conseguiria expressar o que acho dessa maravilhosa animação. É perfeita.

Não tem uma fala sequer, a não ser pela música “Walking In The Air”, cantada divinalmente pelo cantor-mirim Peter Auty. A música inclusive é o que dá sentido no filme.. sua mensagem é demais.

O filme conta a história de um menino que constrói um boneco de neve. Magicamente o boneco ganha vida e começa a divertir muito a vida do pequeno! Não vou contar tudo o que acontece, mas tenho que mencionar o emocionante vôo dos dois rumo ao Pólo Norte. É nessa hora que a música começa a ser cantada…

Esse filme e sua música realmente marcaram minha infância. Lembro-me de tê-lo assistido apenas duas vezes, e na época eu devia ter 6 ou 7 anos. Sempre chorava ou me emocionava muito! O interessante é que a música-tema não apenas me marcou, mas à minha mãe também! Ela sempre tentava ler nos créditos finais quem a cantava para comprarmos o CD ou algo assim, mas nunca conseguíamos! Só depois de dez anos, com toda a facilidade da internet e etc.. que conseguimos encontrá-la!

“Walking In The Air”… Andando pelo ar. A letra da música é a narração desse vôo:

“Andando pelo ar
Flutuando em céu de luar
As pessoas lá embaixo dormem enquanto voamos
Seguro bem forte
Estou vagando pelo céu da meia-noite
Descubro que posso voar muito alto com você”
.
Este é apenas o trecho inicial, que traduzi livremente. Se apenas lermos, e ainda em português, ela perde totalmente o brilho da versão original, que coloquei no post Walking In The Air, tanto a letra como a música em mp3. Mas só por esse trecho inicial dá pra captarmos algumas mensagens…

Enquanto alguns voam, outros dormem… Voar pelo céu da meia-noite, ser audacioso…
Descobrir um meio de voar mais alto, sair da mesmice, do fácil, do confortável… do comum.

Meu amigo, a hora é a agora… VOEMOS!

E. N.

Uma andorinha só…

“Andorinha lá fora está dizendo:
– ‘Passei o dia à toa, à toa!’
 Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…”

Gosto desse poema de Manuel Bandeira. É como se falasse: Carpe Diem

“Carpe Diem” vem do latim e quer dizer algo como “Colha o dia”.
Colha o dia enquanto está maduro, pois amanhã pode ser que esteja podre…
Percebemos então que essa expressão nos diz pra aproveitar o dia. E da melhor maneira.

O camarada que conversa com a andorinha no poema precisou chegar no fim da sua vida para constatar que a tinha “passado à toa”. É recado para nós. Somos a andorinha.

Às vezes paramos pra pensar e percebemos que passamos o “dia à toa”. E se não temos feito isso, parar pra pensar, é bom fazermos logo, enquanto é tempo. Enquanto os dias estão maduros.
Podemos chorar por um dia que passou. Mas devemos ser sóbrios e conscientes para não termos que colher apenas dias podres, mal-aproveitados, desgastados pelo tempo, por más experiências.. tudo fruto de uma vida medíocre e superficial.

É… que mundo é esse em que vivemos. Tiramos lições até de uma Andorinha. Mas, pra aprender com ela é preciso humildade. E pra aplicar suas lições em nossa vida… hum, precisaríamos de mais andorinhas.

E. N.

Testando

Aqui estamos nós…

Na verdade, aqui estou eu, digitando um texto no computador.
E vocês aí, sentados em uma cadeira, lendo esse texto já devidamente postado.

Aqui estamos nós. Na internet.

Eu aqui, vocês aí. Alguém digitando, alguns lendo…
alguns só atentos ao lay-out da página, outros nem entraram nesse site…
alguns não têm internet, outros nem computador…
alguns não têm uma boa casa, outros nem o que comer…

Hum… Alguns e Outros… bons nomes para personagens de quadrinho satírico… E a julgar pelas duas últimas linhas do parágrafo acima, definitivamente seriam brasileiros…

E. N.