o menino que nascera duas vezes

era um menino
que nascera duas vezes.

a primeira foi de ventre
de sangue
debaixo da ponte

a segunda foi de vento.

mãe na rua,
mão na roda
nasceu de dores difíceis
e logo se pôs a andar,
tentar, pedir,
e outros infinitos
infinitivos

dia sim não dormia
dia não semeava
es-colheu andar
com gente que
não tinha sonhos,
também.

e fez besteira,
daquelas de só fazer uma vez,
mas o dia era da farda
deu flagrante, xilindró,
de menor,
pela primeira vez foi pra “casa”.
penou pra viver
fez planos sem olhar,
anos e anos
de dedo na cara.
nos longínquos dezoito,
a ansiedade
pra ver como reagia
à liberdade, enfim.
pôs os pés pra fora

a mãe tava no céu
a mão tava no bolso,
vazio.

mas o peito não estava mais vazio.
o olhar, finalmente, subiu do chão
pro horizonte.
pela primeira vez na vida, ali de pé, ele sonhou.

o vento bateu no seu rosto.

e renasceu.

 

(en)

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