mais cara

.
eu mascaro
tu mascaras
eu mascaro
tu mascaras

eu mais caro
tu mais caro

qual, qual é teu preço?

não, não esconde não!
tô te vendo aí na penumbra, atrás desse óculos de acetato e nariz postiço!

qual é teu preço?

e você também aí de faixa no olho, cara coberta, acha que me engana?

qual é o preço?
quanto você custa?
quanto custa, pra você, se esconder assim?

tem vergonha de quanto vale?
tem medo de barganha?

então mascara pra ficar mais cara?

não…

buscando a mais-valia da humana condição sem lembrar que o amor do mais perfeito é doação
– não tem pedágio, não tem senão, não é baile mascarado: mostra a cara, vai aberto – coração!

mas sei que tá errado esse mundo de ilusão;
não é desse jeito que se vive, meu irmão.

e me desculpe, por favor, o meu tom de acusação
– é assim que eu mascaro toda a minha solidão.

e chega. de rimazinha.
e desse ritmo batido que respeita a ortografia.

e me desculpem. a poesia.
é assim que eu disfarço toda a minha hipocrisia.

tirei. a máscara.
tirei. a roupa.

joguei.

no vento.
nu. vento.

nudez.

medo.

sem acusação.
sem poesia.
só resta eu.

só.

ouço alguns passos, tem gente vindo aí.
alguém me empresta uma roupa? rápido! alguém? por favor!

alguém. alguém tá vindo aí. um só.

olha meu estado, por favor!

quem tá aí?

tá vindo alguém que parece rimar com

luz.
cruz.
conduz.

que vergonha, tô pelado, tô sem nada. alguém, por favor…

oi?

pegou pela mão. posso ir assim? tá.
só queria saber quanto custa o passeio, porque eu tô uma desgraça.

ah…

é (de) graça.

 

(EN)

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Um comentário em “mais cara

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