A inocência

O nostálgico talvez seja nostálgico por querer voltar à inocência do que já foi. Viver no passado, recontar os dias, reviver as fábulas, sorrir, sorrir, e chorar. Chorar o rio que passou. As lágrimas são o rio e queremos mergulhar. Banhar-nos com água morna e limpa – aquela da banheirinha ou do quintal da vó. A vó, que linda. Já não é mais. Mas ainda é dentro da nossa nostalgia. A inocência mora no quintal – e ai de quem disser que não é mais. Eu moro nos desenhos da minha mãozinha. Aquele amigo imaginário que ainda mora no armário velho do quartinho da cozinha. Jamais sairá! Jamais sairá. O olhar sem malícia alguma. O querer sem desdém algum. São essas as crianças que Jesus chama a entrar no céu. São essas – somos nós. Hoje se pode alcançar a inocência que ainda está lá. Na biblioteca do bairro, no livrinho amassado; no desenho favorito, naquela foto de noventa e quatro. Não se vá. Não desista. Não abra mão, não chute o balde, não aceite que se perca de vista. É você, em todos esses anos; é você, a re-tornar-se. Digo a mim mesmo.

Nostalgia evoca inocência. Não à toa rima com poesia. Não à toa rima com nossa existência.

(EN)

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