cantares da pretensa alvorada

.
lá me vem Vinícius cantar no ouvido,

calaboca!

não se sabe mais do amor porque se casa.

não se sabe menos porque se não namora.

Eros, meu caro

não deixemos cair o amor nas mãos do casal-minuto

casal-mesclado

casal-de-luto

casal-melado

nem nas da farsa hiperbólica, choros e promessas

da tal paixão convincente

ilusória.

dá-nos antes i-luz-ão!

Eros, tua arte simplesca é nunca simplória.

navegar sentido àlguém requer mais que respirar – e nos mentem.

dizem que é fácil, tranquilo

– vá-se foder, Vinícius!

cante no meu ouvido o desencontro.

cante! cante-já a renúncia

mise en scène burra da sociedade, medíocre, pareada.

que é das pessoas ímpares?

que é das completas?

chega de gente-metade; ajuda-me a achar completude!

o perdão de cada dia dá-me hoje

dá-me a mão, a busca do pretenso sol envolto de dúvida, se quiser;

não peço respostas.

ilumine meu coração sem dor, deus-amor.

ilumine meu corpo indecente

e aqueça a alma

indiferente.

põe-me no teu curral de sonhos, cavalga comigo naquele sol.

cuidarei do teu aprisco.

cuidarei dos teus ímpares desígnios,

melindre algum.

sem choro nem paixão. compaixão é pra nascer, sem paixão se vive.

seremos razão, meu Eros. escolha e razão, e seremos um.

indivíduo eu

de mãos dadas com o fim.

.

E. N.

Anúncios

2 comentários em “cantares da pretensa alvorada

comente (;

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s